OVNI’s – Objetos Valiosos Nunca Investigados – Parte 01

Fotos: CADA UM FEZ AS SUAS | Produção: CADA UM FEZ A SUA | Texto: JONAS BORGES

Ao longo de centenas de milhares de anos, um dos atributos que mais diferenciaram o ser humano de outros animais terrestres foi a utilização de ferramentas para encarar as intempéries da vida. Desde a famigerada Idade da Pedra Lascada, vulgo Paleolítico, humanídeos passaram a utilizar e aperfeiçoar instrumentos funcionais no intuito de se proteger, comunicar ou até mesmo vadiar. Conforme a espécie humana foi evoluindo, muitos desses artefatos passaram não só a ter valor prático como também emocional, o que fez com que fossem carregados para todo canto por conta de motivação afetiva. Com a ascensão do consumo e da propriedade privada, o número de objetos que fazem parte da vida das pessoas se multiplicou intensamente, fazendo com que seus detentores flertassem cada vez mais com o acúmulo e com a necessidade de guardá-los em segurança. Funcionais, ou não, e dispostos ao longo de um espaço comumente cercado por paredes, janelas e portas, passaram a formar o que muitos chamam de casa. Esse fascinante e muitas vezes empoleirado espaço privado ganhou novos contornos com os tempos sombrios de pandemia em que estamos vivendo, levando muita gente a ressignificar de maneira mais íntima o vínculo com seus lares e os já mencionados objetos que compõe esse espaço. E é justamente nesse cenário tão atípico que os OVNI’s vêm à tona. Esse estreitamento da relação com o entorno doméstico faz com que estes artigos de valor sentimental, ou apenas recheados de intensas memórias, acabem reaparecendo como velhos camaradas em nossos enclausurados cotidianos.

Tal constatação não poderia ter deixado de levar nossos correspondentes a querer examinar ineditamente estas pequenas relíquias pessoais e a maneira como elas despertam sentimentos que vão da ternura à patifaria. Porém, inaptos à investigação presencial por conta do pandêmico momento que o planeta vive, se viram na obrigação de recorrer à milenar arte da investigação caseira. Com base nisso, Zaso Corp. reuniu algumas figuras da mais fina estirpe e pediu-lhes encarecidamente que, do alto de suas quarentenas, dissertassem sobre valiosos objetos que fazem parte de suas vidas, sejam eles frutos de fortes laços familiares, maltrapilhas gambiarras ou até mesmo pequenos delitos alcóolicos.

Débora Lopes, jornalista, 34 anos, paulistana.

Você sabe nadar?

Aprendi pequena, na marra, ainda na barriga da minha mãe.

Se você pudesse mergulhar numa piscina de algum alimento, qual seria?

Já pensei nisso muitas vezes e a resposta é sempre a mesma: Nutella. Mas gostaria que Nutella fosse produzida com leite vegetal.

Qual foi a última coisa que você sonhou?

Que eu juntava o corpinho e a cabeça de um filhote de boxer decepado. Foi bom não.

Você já teve alguma experiência paranormal?

Ser colocada por Deus na Terra e ser obrigada a conviver com gente da extrema-direita.

Qual o seu Gilberto preferido?

João. Meu rei.

Qual foi a sua última gafe?

Fazer uma live no Instagram falando alto lá pelas 23h e meu vizinho de cima gritar: “Dá pra falar mais baixo? Eu quero dormir”. Todo mundo ouviu e eu, inclusive, pedi desculpa, mas no dia seguinte fiquei chamando ele de corno janela afora e ele foi anotar meu nome no caderninho do condomínio. 

Qual objeto mais te representa e por quê?

Meu cabelo cortado. Eu cortei faz uns cinco anos e separei pra doar, mas nunca doei. Me sinto péssima por isso. Estou deixando ele crescer de novo pra doar o antigo e o novo e, quem sabe, me redimir com o universo. Universo, você me perdoaria?

Qual o objeto que menos te representa e por quê?

Tenho problema com objetos que não gosto e vou logo tirando de vista. Mas uma vez comprei um par de algemas de brinquedo e mobilizei toda a segurança do aeroporto pra checarem se era de verdade ou não.

Qual o objeto mais estranho que você tem e por quê?

Uma cápsula de bala de borracha que guardo junto com uma flor seca e uma concha. São três objetos que colhi enquanto trabalhava na rua como repórter. A flor eu nem lembro onde peguei, a concha foi quando queimei o joelho no escapamento de uma moto pra entrevistar moradores de uma comunidade isolada no litoral e a cápsula foi de quando cobri junho de 2013. Eu não queria lembrar disso especificamente, mas foi minha primeira grande cobertura como jornalista. Então guardei. Correr de bomba de gás lacrimogêneo e bala de borracha não foi legal.

Se você só pudesse salvar um objeto da sua casa, qual seria?

Uma bonequinha que ganhei da minha vó, e nem tenho certeza se foi da materna ou paterna. Não conheci meus avós porque todos estavam indo embora enquanto eu começava a entender a vida. Queria muito ter convivido com eles. Essa bonequinha é nossa ligação. É a minha joia preciosa.

Que objeto você precisa substituir urgentemente na sua casa?

Um bilhete de aniversário da empresa que me contratou e me demitiu em plena pandemia. Tô com ranço e vou tirar isso hoje mesmo. Vou rabiscar alguma coisa na parede. Talvez a frase “Ande de skate e destrua, pois eu mesma nunca consegui andar de skate direito”.

Que objeto está na sua casa e você não sabe como foi parar lá?

Um pano de prato com uma crítica social foderosa contra o Bolsonaro. Um amigo veio na minha casa numa festa de Ano Novo e trouxe umas garrafas de vinho. Acho que o pano de prato veio junto. Eu estava bêbada na hora e nunca perguntei se era um presente ou não. Mas gostei tanto que afanei. Ou não. Caso tenha sido um presente, obrigada, Luiz Tadeu. 

Se você pudesse nos dar um objeto de presente, qual seria?

Uma luva esfoliante. Só uma porque eu ia querer ficar com a outra. É ótima pra tirar cravo do nariz, pêlo encravado e cracas em geral da pele. Usem no banho.

Objetos Extras:

Bolsa indígena que minha melhor amiga super ligada à causa (ela fez um filmaço sobre os krahô e ganhou Cannes, muito chique) me deu e eu prometi que ia plantar algo dentro, mas a bolsa tá na lavanderia e guardo pano de prato sujo lá. Eu sou uma vergonha. Ainda vou plantar algo.

Esse espelho que minha roommate trouxe pra casa. Ele tá num lugar alto e provisório pois não temos martelo nem prego pra botar em outro lugar.

Em toda cidade que vou, não sossego enquanto não compro um imã local. Este eu comprei em Rio Branco, no Acre, mas confesso que não vi nenhuma oca por lá.

Uma amiga estava mudando de casa e me doou essa samambaia. Ela chegou meio modorrenta aqui, mas hoje tá linda. Meu xodó.

E não menos importante, eu já fiz o texto da minha lápide. Espero não morrer jovem e espero que respeitem minha vontade e coloquem a porra do texto lá. Tá na parede do meu quarto.

Victor Ribeiro Miranda, 29 anos, baterista. Nascido em Santos (SP), atualmente é morador de Porto Alegre (RS).

Top 3 salgados

1 – Croquete;

2 – Coxinha;

3 – Pastel de Queijo.

Gostaria de ter um carro conversível?

Não.

Já foi atacado por um animal silvestre?

Sim, abelhas.

Qual foi a sua última gafe?

Fui à padaria, mas esqueci minha máscara facial em casa e ouvi bronca da moça que servia o pão. Após muita negociação, saí de lá com o ingrediente crucial para um bom café da manhã.

Qual sua palavra favorita?

Paralelepípedo.

Se você pudesse pular em uma piscina de algum alimento, qual seria?

Em uma piscina de miojo Turma da Mônica sabor galinha caipira.

Qual objeto mais te representa e por quê?

A bateria eletrônica, pois tocar é algo que faço continuamente desde os 10 anos, então envolve grande parte do que eu sou.

Qual objeto menos te representa e por quê?

Esse quadro de lhama feliz. Eu não sou uma lhama e nem sou feliz.

Qual o objeto mais estranho que você tem e por quê?

A foto desse russo estranho que ninguém sabe o nome e fica no mural da sala. Espero que ele se sinta homenageado onde quer que esteja.

Se você pudesse salvar um objeto, qual seria?

O meu computador, pois computadores são muito caros.

Que objeto você precisa substituir na sua casa?

Esse chuveirinho de limpar o cu. Está vazando por algum motivo, não sabemos qual ainda. Enquanto perdura o mistério, temos que trocar esse balde de água duas vezes por dia.

Que objeto está na sua casa e você não sabe como foi parar lá?

Essa varinha do Harry Potter. Estava no bolso da minha namorada depois de um rolê, mas ela não faz a menor ideia de como chegou lá. 

Se você pudesse nos dar um objeto de presente, qual seria?

Esta bela cerveja gelada.

Marco Aurélio de Campos Nóbrega Cidade, 30 anos, diretor de filmes adultos. Nascido em São Paulo (SP), no bairro de Moema Vice, onde ainda reside.

Qual seu maior medo?

Ficar apaixonado.

Se você pudesse aprender alguma coisa instantaneamente, o que seria?

Dar mortal.

Se você pudesse ser zagueiro de um time, de qual seria?

Paratudo F.C.

Qual a maior quantidade de lanches do McDonald’s que você já comeu de uma vez?

Dois Big Mac’s, dois chedão, um McChicken e batata.

Qual foi sua última gafe?

Caí bêbado no primeiro dia de casa nova e xinguei um tiozão no mercado porque ele não deu nada para o mendigo que estava do lado fora. Eu tava pirata já…

Qual objeto mais te representa e por quê?

Garrafa de Paratudo. É minha bebida atual favorita e sou um grande apreciador.

Qual o objeto que menos te representa e por quê?

Ganhei com 12 anos esse cachorro eletrônico e atualmente só serve para irritar meus cachorros.

Qual o objeto mais estranho que você tem e por quê?

Quadro que ganhei de um amigo na produtora, meu amigo Pedro.

Se você só pudesse salvar um objeto da sua casa, qual seria?

Ah, meus pornô tudo.

Que objeto você precisa substituir urgentemente na sua casa?

O gás.

Que objeto está na sua casa e você não sabe como foi parar lá?

A Julhie. Voltei com ela depois de uma noite de muita Maria Mole, há 14 anos atrás… Não é um objeto, mas é loka™.

Se você pudesse nos dar um objeto de presente, qual seria?

Um óculos/binóculos que meu tio trouxe da gringa há uns 20 anos atrás.

Os gêmeos Heron e Conrado Chati, designers, 30 anos, moram em São Paulo (SP) mas atualmente estão em Jundiaí (SP).

Gostas de Erotismo?

Heron: Depende.

Conrado: Sim.

O que você acha de usar óculos escuros em lugares fechados?

Heron: Acho ridículo, a não ser que você tenha problema na vista (risos).

Conrado: Acho paia. Acho que quem usa óculos escuro meio que “se acha”.

Qual sua última gafe?

Heron: Não lembro (risos).

Conrado: Achei no começo que esse negócio de pandemia não chegaria aqui. Comentei até com algumas pessoas essa idiota hipótese que nunca se concretizou. Chegou e chegou legal.

Qual a coisa tosca você mais gosta?

Heron: Gosto do Napoleon Dynamite.

Conrado: Às vezes ouço Kid Abelha e Taiguara.

Qual objeto mais te representa e por quê? 

Heron: Uma foto minha (risos).

Conrado: Acho que não tenho.

Qual objeto menos te representa e por quê? 

Heron: Uma foto do Bolsonaro (risos) ou um CD de Sertanejo.

Conrado: Uma calça “saruel” ou “pula-brejo”. Nunca terei o desprazer de usá-las.

Qual o objeto mais estranho que você tem e por que?

Heron: Não sei (risos). Uma miniatura de São Longuinho.

Conrado: Dollynho miniatura. Acho legal a criação de marca dele. Ídolo.

Se você pudesse salvar um objeto, qual seria?

Heron: Meu celular.

Conrado: Pegaria quantos discos conseguir em uma braçada. (A maioria ficou em São Paulo).

Que objeto você precisa substituir na sua casa? 

Heron:  Substituiria o computador do meu pai.

Conrado:  A geladeira. Tá velha.

Que objeto está na sua casa e você não sabe como foi parar lá?

Heron: A miniatura de São Longuinho.

Conrado: Uma Pitú.

Se você pudesse nos dar um objeto de presente, qual seria?

Heron: Acho que alguma fita VHS antiga, tenho várias (risos).

Conrado: A garrafa de Pitú.

Bruno Maron, 42 anos, quadrinista, nascido em Niterói (RJ) e atualmente mora em São Paulo (SP).
(Foto: Daniel Pereira)

Top 3 jogos de tabuleiro:

01 – War;

02 – Scotland Yard;

03 – Combate.

Qual foi o melhor dia da sua vida?

Show do Rush no Morumbi, em 2002. Sou nerd velho.

Acredita em ET’s?

Sim e os aguardo ansiosamente.

Quem você ressuscitaria?

Frank Zappa.

Qual instrumento você mais detesta?

Gaita. Não que eu deteste, mas acho que é muito raro que ela seja pertinente numa música.

Qual foi sua última gafe?

Ser carioca é uma gafe. Eu já peço desculpas quando conheço alguém.

Qual objeto mais te representa e por quê?

Neosoro. Sem isso eu não existo.

Qual o objeto que menos te representa e por quê?

Narin. É a alternativa mais saudável para o Neosoro, mas eu quase nunca uso.

Qual o objeto mais estranho que você tem e por quê?

Esse álcool gel. Eu ainda tô achando muito estranho esse novo modo de existência.

Se você pudesse salvar um objeto, qual seria?

Violão. Seria um mendigo feliz.

Que objeto você precisa substituir na sua casa?

O meu suporte de televisão é uma sapateira com uma caixa de livros em cima. Mulambão.

Que objeto está na sua casa e você não sabe como foi parar lá?

Eu tenho tão poucos objetos em casa que eu sei como todos foram parar lá.

Se você pudesse nos dar um objeto de presente, qual seria? 

Essa boneca da Mônica roots

Não restam dúvidas de que a relação pessoal com objetos é um brilhante fator em comum entre as mais variadas espécimes de ser humano ao redor do globo. Zaso Corp. afirma, sem medo de errar, que não há uma alma viva – independente de contexto cultural, situação social e ideologia – que não seja capaz de elencar ao menos uma pequena relíquia pessoal que a acompanhe ao longo dessa intensa e destrambelhada aventura chamada vida. Ao olhar ao redor, não é nada difícil se deparar com um OVNI, seja ele um objeto valioso nunca investigado ou um objeto voador não-identificado. Em ambos os casos, o sucesso é absoluto.

A capacidade que o ser humano tem de atribuir significado ao mais escangalhado pedaço de tosqueira é tão fascinante quanto a mais avançada tecnologia já concebida, seja ela voadora ou não.

zasocorporation

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