Caipirinha da Feijoada – O Aperitivo Oculto

Fotos: LEANDRO FURINI | Texto: JOE BORGES | Especialista: MARCO CIDADE

A.pe.ri.ti.vo
adj (lat aperitivu) 1 Que é próprio para abrir o apetite; ecfrático. 2 O mesmo que aperiente. 3 Med Aplica-se aos remédios que abrem os poros, facilitam as secreções e digestões, e desobstruem a passagem dos humores, que tornam mais fluidos. sm 4 Qualquer bebida que desperta o apetite; abrideira.

Os aperitivos fazem parte da cultura brasileira, mundial e humana há um tempo incontável, atingindo um status sagrado entre muitas pessoas adoradoras das coisas boas da vida. Geralmente, servem para anteceder grandes comilanças e/ou presepadas alcóolicas alucinantes. Com base nessa infalível combinação, pode-se afirmar com violência que um dos mais populares e admirados aperitivos existentes é a caipirinha da feijoada (não confundir com caipirinha de feijoada), um clássico acompanhamento que teima em brotar na bandeja de almoço de milhões de cidadãos toda quarta-feira e sábado. O que poucas pessoas sabem é que este elixir não dá as caras apenas em dias de feijuca, estando também disponível em diversos outros dias da semana, normalmente armazenado em um recipiente polêmico e deixado em repouso à espera de seu algoz. Sem constar nos cardápios e nem menus desse mundão afora, as caipirinhas da feijoada são uma pedida oculta para aqueles que curtem uma água que passarinho não bebe, sobretudo por conta de seu excelente custo-benefício. As variações de sabores, graduações alcóolicas, texturas e poderes são tantas quanto as de coletes do Ziraldo. Em muitos casos, elas sequer são caipirinhas realmente, mas, pelo visto, ninguém se importa.

Para relatar os pormenores deste universo da maneira mais apropriada, foi contactada a presença do premiado diretor de entretenimento adulto Marco Cidade, já eternizado anteriormente nas páginas de Zaso por sua épica, vencedora e iconoclasta aventura no mundo do turfe, vulgo aposta em corridas de cavalos. Mayco, como é conhecido por si mesmo, foi o autor intelectual da matéria, que surgiu de uma sugestão dele próprio durante uma bebidinha doce com a cúpula zasal. Enorme entusiasta da cagibrina, é considerado pelos mais próximos, e pelos distantes também, como um magnânimo zoeiro. Ou seja, não poderíamos estar lidando com um especialista mais apto. Mayco é um notável consumidor da caipirinha da feijoada, tendo o hábito de ingeri-la praticamente todos os dias da semana, independente do consumo de feijuca, refeição que faz parte de seu vasto léque de hábitos gastronômicos. O dia escolhido para a tour de degustes caipirósticos foi a amena, e muitas vezes subestimada, segunda-feira. Por sua vez, o palco foi o bairro de Moema, recanto de Marco Cidade na cidade de São Paulo. Conhecido pela diversidade de botecos/restaurantes das mais diversas modalidades, e pela topografia plana, o bairro representa uma mão na roda quando o assunto é pingar de bar em bar, o que facilitou de maneira notável a missão dos jovens aventuróides.

Por volta das 21h da noite, os zasos Joe Borges e Leandro Furini se encontraram com Marco, ao pé do prédio em que mora, para partirem em direção à turnê de caipirinhas da feijoada. Ao lado da academia em que nosso especialista costuma treinar jiu-jitsu, há menos de uma quadra de sua casa, existe um bar chamado popularmente de Bar do Zeca, ou, para os não tão íntimos, Jamaris, que, por nenhuma coincidência, é o nome da rua em que está localizado. Esse bar é frequentado por Marco com bastante frequência, nada mais justo do que ser palco para o início dos trabalhos. Por ser uma segunda-feira, o movimento do bar era praticamente nulo, se resumindo a dois solitários homens de meia-idade tomando uma gelada no balcão, cada um de um lado, e a outro cidadão, que na verdade trabalhava, pintando de branco uma das paredes do bar e, consequentemente, sua camiseta do Barcelona dos anos 90, portando apenas seu debilitado rolo de pintura. Não foi sequer necessário perguntar se a caipirinha da feijoada era servida no bar, a pergunta já estava mais do que respondida, já que Marco tem o hábito, confirmado ao vivo pelo solícito atendente, de tomar cinco ou seis copos americanos do beberico aos domingos, para dar aquela rebatida na ressaca. Altamente recomendável. Para nosso herói, não havia novidade. O solícito funcionário abaixou até a pequena despensa e pegou um enorme galão de vinagre Castelo, lotado de caipirinha até a metade, despejando-a, em seguida, no copo. Apesar da ausência daquele gelinho marotaço, o gosto era extremamente aprazível, diferindo muito da caipirinha tradicional, que tem um gosto espetacular, diga-se de passagem. Nesse caso, a bebida flertava mais com o suco Tang do que com a pinga, fazia todo o sentido que Mayco se besuntasse com força nesse elixir. Zeca produzia três litros da bebida à base de pinga, limão e açucar toda quarta e sábado, especialmente para servir junto com a feijoada, porém, deixava o mesmo ali reservado para quem quisesse tomá-lo nos outros dias da semana também, como era o caso de Mayco. Com o honesto valor de três reais, ficou provado, e aprovado, que aquela era uma boa pedida. Um belo início.

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Lanchonete e Restaurante Jamaris, o popular Bar do Zeca.

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A caipirinha do Bar do Zeca foi servida diretamente de um galão de vinagre Castelo, sem gelo e no copo americano. Seu gosto aprazível, doce e açucarado pra caralho é um convite à uma dose atrás da outra, o que torna-a traiçoeira em potencial. Faz um certo sentido que Marco tenha o hábito de tomar cinco ou seis copos do aperitivo por domingo para rebater a ressaca, ainda mais por conta do honesto preço de três reais.

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Há algumas quadras do Bar do Zeca fica o popular Amarelinho, um bar ligeiramente mais requintado que o Jamaris, mas sem perder os insuperáveis ares de botecão. Seria a próxima parada. No meio do caminho, os três jovens se lembraram que um grande camarada, o ilustrador, e também entusiasta duma bebida doce, Luis Carvalho, fazia curso de modelagem 3d no mesmo quarteirão que o bar. Contactaram-no imediatamente, em instantes sairia da aula. O Amarelo é um dos bares mais frequentados da região, geralmente com suas mesas do lado de fora abarrotadas de clientes mais dispostos, e aptos, a deixar um troco no estabelecimento. Metros antes de chegarem à entrada do bar, a voz escangalhada de Galvão Bueno já saudava-os com uma patolada violenta na base do saco. Adentraram o local e sentaram ao lado da estufa de salgados, sempre a área mais nobre do bar. Marco sentou encostado na parede e logo abaixo de uma tevê, que arrotava o programa de entrevistas acochalhado do velho Galvão para quem quisesse, e não quisesse, ver. Imediatamente, solicitaram a caipirinha da feijoada que, dessa vez, veio servida de dentro duma garrafa de Velho Barreiro, pra já chegar dando aquela curtida. Só de passar o nariz a centímetros do copo já dava para sacar que ela era mais forte que a anterior, apesar da aparência praticamente idêntica. Um beberico rápido já deu aquela esquentada na orelha, os rumores se mostraram verdade. Ao contrário da anterior, tomar uma atrás da outra seria sinônimo de cambalhota na sarjeta. Uma conversa rápida com o atendente mostrou que eles faziam a caipirinha na terça e sexta, um dia antes da feijoada, utilizando o Velho Barreiro como catalisador desse maravilhoso aperitivo, em tentativa de harmonia com um limão um pouco mais amargo, que nossa equipe acredita ser lima da pérsia. Carece de fontes. O valor também era de três reais, valoroso e honesto, apesar de ligeiramente menos servido que no Bar do Zeca. Mais uma vez, agradou ao eleitorado, que saiu de orelha quente do local.

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Amarelinho.

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Custando três reais, a caipirinha da feijoada do Amarelinho foi servida de uma garrafa de Velho Barreiro, sem gelo e num copo de aperitivo. Muito semelhante visualmente ao aperitivo anterior, do Bar do Zeca, se mostrou mais potente, menos adocicada e com um gosto de limão mais amargo, o que nossos especialista acreditam ser graças à presença de lima da pérsia.
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Galvão & Maycão curtindo juntos uma água que passarinho não bebe.

A terceira parada foi atravessando a rua, diretamente para o Avinho Bar, conhecido popularmente como “Concorrente”. Mais mulambão e cachaçudo, é uma alternativa bem mais humilde que o Amarelo, ou seja, bem mais legal. A caipirinha servida a Marco era diferente das anteriores, vindo com todo o carinho de dentro de uma garrafa de vidro de um litro de Pepsi. Forte e cítrica, tinha uma explosão de sabores mais intensa, era ainda mais agressiva que a do Amarelinho. Ponto para a concorrência, ou não. O funcionário responsável pelo atendimento explicou que desde que chegou ao bar, há menos de um ano, trouxe uma receita diferente de caipirinha da feijoada, dotada de laranja, limão e abacaxi. Segundo ele, a sua caipirinha, até mesmo por ser diferente do habitual, era uma pedida recorrente, discurso que não foi proferido nos dois bares anteriores, onde o consumo da mesma parecia ser mais obscuro e ritual. Um ponto simples e importantíssimo a ser destacado, mostrando com clareza todo o carinho, afeto, paixão, amor, empatia, sinceridade e honestidade para com o cliente, é o fato de servirem a caipirinha da feijoada com uma pedra de gelo. Separando os homens dos meninos.

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A caipirinha da feijoada do “Concorrente” foi servida de uma garrafa de vidro de um litro de Pepsi, com uma pedra de gelo e no copo americano. Sua receita foge do convencional, misturando limão, laranja e abacaxi. Uma explosão de sabores cítricos. Foi a mais potente de todas até então, mas sem perder o gosto agradável, e ainda com todo o carisma proveniente da pedrinha de gelo. Pode ser adquirida pela bagatela de três reais.

Seguindo mais adiante na mesma avenida, chegaram a um bar de esquina cujo nome é Skina Bar, veja só como a vida prega peças. Os funcionários do local estavam no modo “lava-pé” ativado, passando o rodo na cândida por todo o chão do bar. Os três jovens chegaram aos 45 do segundo tempo, o que despertou um semblante de pouquíssimos amigos no atendente. Um tanto contrariado, adentrou o interior do local e trouxe a caipirinha da feijoada servida num copo de whisky, sem gelo nem nada. O belisco tinha um aspecto bem diferente dos anteriores, num verde mais azulado e translúcido, típico da pinga com limão. Mayco, que costuma botar pra dentro qualquer dose sem chiar, já deu uma acusada no golpe logo de cara, um momento bem atípico em sua vitoriosa carreira alcóolica. Além de quente, o gosto era completamente diferente das outras caipirinhas, difícil de explicar. Não lembrava nem limão, nem pinga e nem parecia que tinha açucar, apesar do forte e marcado gosto de álcool. A cada beberico era uma careta. Pela primeira vez em sua carreira, Marco ficava tentando se desfazer do aperitivo, oferecendo-o efusivamente aos zasos, geralmente seria o contrário, ele tentaria tomar a bebida do coleguinha com o mesmo entusiasmo. Um fato interessante que chamou a atenção dos zasalhas foi que o funcionário se recusou a mostrar a garrafa da caipirinha, o que causou estranhamento entre os presentes. Fica no ar. Ainda por cima, a dose era mais cara que as anteriores, quatro reais. Não agradou em nenhum aspecto e ainda deixou gosto de detergente Ypê no céu da boca. Tremenda pixotada.

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A caipirinha da feijoada do Skina Bar foi servida no copo de whisky, de uma garrafa não identificada e sem gelo. Seu gosto desgraceiro causou estranhamento em Mayco, que não conseguiu identificar nem limão, nem pinga e nem açucar direito. Sabe-se que havia álcool. Custando quatro reais, se provou mais cara, mais quente e pior que as anteriores. Um combo fecal.

Desgostosos com a última experiência, atravessaram a rua em direção a outro bar/restaurante/recanto que também parecia estar prestes a fechar. Quando perguntados sobre a caipirinha, os funcionários disseram que costumam jogá-la fora logo depois do dia da feijoada. Incrédulos com a informação, os jovens perguntaram se haveria algum problema em deixar armazenado o aperitivo por alguns dias, recebendo uma resposta meio vaga sobre o assunto, dando a entender que não necessariamente, mas que mesmo assim eles jogavam. Só deus podia julgá-los. Sem entender grande coisa, foram embora do local. As coisas iam tomando um rumo bem diferente do ameno começo de noite.

Andaram, então, menos de um quarteirão para chegar à quinta parada da turnê, no Boteco Moema. O local era o mais simpático de todos, tanto no quesito ambiente quanto no atendimento. Um atendente gente finíssima veio lhes oferecer ajuda, bastante necessária naquele momento. Quando indagado acerca da caipirinha da feijoada, abriu um sorriso estridente, andou em direção à pequena geladeira e voltou portando uma vistosa garrafa de tequila Jose Cuervo Especial, gelada ainda por cima, o que causou certo impacto nos jovens, que não haviam presenciado essa cena até então. Os tempos mudaram, meus amigos. Dentro da garrafa, o néctar. Na mesma coloração levemente amarelada das caipirinhas anteriores, que tanto despertaram felicidade nos envolvidos, a pedida parecia ser um tiro certeiro. O gosto já se mostrou diferenciado logo de cara. Segundo o atendente, os ingredientes utilizados para a confecção do aperitivo incluíam limão com laranja, sucesso. O sabor doce, e com a pinga não tão marcada, transformou aquela bebida na melhor caipirinha até então, segundo Mayco, tanto que assim que o copo americano servido havia sido devidamente seco foi solicitado mais um. O fato do aperitivo estar gelado fez com que a experiência se tornasse extremamente mais rica. Apreciando o deleite de Mayco e seu conluio, o rapaz que lhes atendia deu uma escapadela e voltou com mais duas garrafas cheias, dessa vez uma de vodka Absolut e outra de Smirnoff. Impressionante. Vendo que estava ganhando pontos com a rapaziada, ainda informou-os que a garrafa custava 25 reais, se tornando, assim, o único estabelecimento até então a vender a garrafa fechada, ou ao menos o único que ofereceu-lhes essa possibilidade. O entusiasmo era tamanho que dois salgados de fim de noite foram devorados como se não houvesse amanhã para acompanhar o ritual. O Boteco Moema elevou a caipirinha da feijoada a um novo nível, nunca antes visto por Mayco, que era exímio conhecedor do assunto. Parabéns aos envolvidos.

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A caipirinha da feijoada do Boteco Moema elevou o nível da turnê de maneira evidente. Servida gelada diretamente de uma garrafa de Jose Cuervo Especial para um copo americano, o seu sabor adocicado de limão com açucar , e altamente digerível, ganhou a simpatia de Marco, que inclusive tomou duas doses. Seu preço era de quatro reais, nada mais justo no quesito custo-benefício.

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Respeito.

Já baleados, partiram em direção ao shopping Ibirapuera, para desbravar o lado do bairro em que as ruas têm nomes de pássaros, visto que estavam anteriormente no lado dos índios. Para quem não sabe, o bairro de Moema é basicamente dividido em dois lados, cortados pela Avenida Ibirapuera. De um dos lados, os nomes das ruas são indígenas e, do outro, passarígenas. É isso mesmo, aqui não existe pudor quando o assunto é neologismo. No meio do caminho, uma ligação de Luis, que já havia saído do curso e queria encontrar Mayco e os correspondentes. Os três sentaram ao pé do shopping e esperaram-no chegar, o que não demorou mais que dez minutos. Luis, ao saber da missão, ficou empolgado e curtiu bastante a idéia, não titubeando em se unir ao grupo em busca de mais alguns exemplares do aperitivo mais querido da galáxia.

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Siga o mestre.

À título de esclarecimento, é importante ressaltar que Mayco tomou a caipirinha praticamente inteira em todas as situações, enquanto os zasalhas Joe e Leandro apenas davam aquela molhada nas palavras. Mesmo com a chegada de Luis, esta máxima não deixou de reinar. Atravessaram a fronteira e partiram em direção a novas caipirinhas, a missão não poderia acabar por ali. Já passava das dez horas da noite e quando os quatro adentraram o sétimo bar da noite, o Nova Cotovia. Com seu jeitão de boteco de raíz, se depararam com nenhum cliente e aquela iluminação meio falhada de mesa de cirurgia. O lugar logo abraçou a rapaziada com direito a tapinha nas costas. Em instantes, a caipirinha chegou, dentro de nada mais nada menos que um recipiente gigantesco de mostarda. O olho de Mayco brilhou, não se sabe se isso foi bom ou ruim. Naquela temperatura de risole esquentado dez segundos no microondas, o beberico tinha a mesma coloração que a cagueira degustada no Skina Bar, o que gerou apreensão entre os presentes. A primeira bicada indicou que a realidade era menos cruel do que aparentava, a caipirinha da feijoada do Novo Cotovia era boa, apesar de forte como um coice de mula. Se fosse devidamente gelada e colocada num compartimento mais simpático, poderia ganhar adeptos de todo o país, sem dúvida. Seu preço foi o padrão, três reais, nada mais justo para aquele copo americano três quartos preenchido.

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A caipirinha da feijoada do Nova Cotovia veio servida num parrudo galão de mostarda, quente e sem gelo. Por três reais, se mostrou bastante honesta e apesar de forte desceu de maneira tranquila. Sua receita é formada por limão, laranja e bastante açucar.

Há poucos metros do Nova Cotovia estava seu vizinho e primo mais velho, o Cotovia. Muito semelhante em relação a clima, acolheu Mayco e seus acompanhantes no frio mármore da bancada. Quando questionado sobre a caipirinha da feijoada, o atendente pegou logo um galão de ketchup, pelo visto esse hábito esdrúxulo era coisa de família. Muito mais claro e denso que a caipirinha de seu primo, o aperitivo servido no recinto era na realidade uma batida gelada de limão, abacaxi, leite condensado e pinga, lembrando muito um drinque servido nas areias da praia da Praia Grande. Mayco levou o beberico à boca e logo achou excelente a experiência, entrando num momento de puro êxtase enquanto Joe anotava diversas informações pertinentes num pedaço de guardanapo. Leandro fotografava tudo com sua câmera de turista japonês e Luis degustava seu aperitivo orgulhoso de seus amigos. O preço dessa brincanagem foi  quatro reais, valor que foi bastante justo para a qualidade do produto apresentado. Em um determinado momento, um amendoim foi lançado na roda para acompanhar o momento. Nada mais justo, nada mais lindo.

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A caipirinha da feijoada do Cotovia, que sequer era uma caipirinha na realidade, foi servido diretamente de um galão de ketchup, fazendo jús ao seu irmão mais novo, o Nova Cotovia. O aperitivo, que na realidade era uma batida de pinga, limão, abacaxi e leite condensado, foi servido gelado e no copo americano. Excelente pedida, tanto para uma praia farofada quanto para a cidade cinzenta. Quatro reais voam do seu bolso em direção ao caixa quando esse aperitivo é pedido.

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Show.

A missão do lado passarígeno estava cumprida, era hora de atravessar a fronteira novamente. Os protagonistas pararam numa popular casa de espetos, o Chiquinho, para repôr as energias. Mayco já demonstrava estar atingindo o grau do boneco. Sem novidade. Devidamente alimentados de espetos de kafta, linguiça e carne, com um molhinho de alho alucinante, partiram para mais uma missão, num bar atrás do shopping Ibirapuera, o Nova Skina II, provavelmente ligado ao Skina Bar, aquele mesmo que serviu detergente Ypê e tentou envenenar nosso especialista, Marco Cidade. Ao chegar no lugar, nenhum consumidor e um garçom um tanto quanto cansado de viver. A caipirinha da feijoada do lugar veio servida numa garrafa pet, a única que vinha com um indicativo de validade, escrito num durex colado na garrafa. Curiosamente, o aperitivo estava para vencer em dez minutos, afinal, eram dez pra meia-noite. Antes que a validade expirasse, Mayco abocanhou a caipirota, acusando o golpe mais uma vez, por motivos de graduação alcóolica excessiva. A cacetada foi visível em todos, o beberico mais parecia pinga com limão, uma verdadeira chulapada na têmpora. O preço chamou a atenção dos envolvidos, cinco reais, nada justo para uma pinga com limão batida com açucar. A relação Nova Skina II e Skina Bar fez muito sentido naquele momento.

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A caipirinha do Nova Skina II foi servida de uma garrafa pet gelada para um copo americano e estava prestes a vencer. Seu gosto foi uma violência contra a mente, extremamente potente e lembrando muito uma pinga com limão. O aperitivo não faz jús ao valor de cinco reais.

Para acabar a noite, a idéia era partir para os populares Três Porquinhos, na Avenida Ibirapuera, que na realidade, hoje em dia, são dois. Ao camelarem alguns bons quarteirões até o local, chegaram ao primeiro deles, um recanto já extremamente conhecido de todos os envolvidos. Portando um bigode de invejar Stalin, o grão-atendente do local foi buscar a caipiralha da feijoada, que veio dentro de um galão vermelho que parecia pertencer a um laboratório químico, deixando os recipientes de mostarda e ketchup dos bares anteriores no chinelo. A caipirinha era tão cristalina e transparente que ficava claro que era pura pinga. Dito e feito, a porrada foi violentíssima, sem dúvida a mais forte de todas, uma verdadeira pinga com limão e açucar mal diluído, pela bagatela de três reais, chega a ser até caro. O copo ficou pingando de mão em mão como se fosse uma batata quente, nessa altura do campeonato, não só Mayco como todos os putalhas já estavam prestes a bater a nave.

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O aperitivo do primeiro dos Três Porquinhos veio armazenado num parrudíssimo galão de gasolina, quente e servido no copo americano. Basicamente, era uma pinga com limão com umas gotículas de açucar. Seu valor de três reais se mostrou um excelente custo-malefício.

Parede com parede, lá estava o outro porquinho da história. Quando perguntado sobre a presença da caipirinha da feijoada, o atendente logo disse que eles não trabalhavam com o aperitivo, uma descoberta chateante, porém prudente. A cota de caipirinha já havia atingido níveis alarmantes. Já de missão devidamente cumprida, os jovens resolveram coroar o fim de noite com uma amistosa sinuca e uma cerveja amena para dar aquele arremate noturno.

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Acabou.

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A turnê por Moema em busca de ampliar o conhecimento sobre o oculto e fascinante mundo das caipirinhas da feijoada mostrou o quão amplo é o léque de possibilidades quando o assunto é aperitivo de boteco. O nosso especialista no assunto pôde aprimorar ainda mais seu currículo alcóolico de maneira honrosa, enquanto o sentimento de que o mundo da botecagem tem milhares de nuances a serem exploradas ficou pairando no ar densamente. Ilustrando de maneira ainda mais clara o contexto, a segunda-feira, tida como um dia morto, ofereceu uma variedade grande de possibilidades de caipirinha da feijoada, mesmo fora de seus dias tradicionais de cosumo. Zaso Corp. e seus comparças altamente recomendam que quando você estiver com a grana curta e de bobeira, a qualquer hora e lugar, não pense duas vezes, vá ao seu boteco de confiança mais próximo e peça uma caipirinha da feijoada.

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