Prato Donald – Provamos o Polêmico Prato Feito do McDonald’s

Fotos: LEANDRO FURINI | Texto: JOE BORGES | Sommelier: LEO FAGUNDES

O McDonald’s é um dos grandes pilares da cultura alimentícia capitalista ocidental, e quiçá mundial, seduzindo gerações de pessoas sedentas por hambúrgueres e milk-shakes de procedência misteriosa até mesmo para o mais sábio oráculo. Mas eis que, calando os críticos, uma informação valiosa chegou de maneira inesperada aos ouvidos dos zasóides, quebrando com o paradigma do fast-food que tanto lhes era enraizado: O McDonald’s serve prato feito, e eles não fazem a menor questão de colocá-lo no cardápio.

Uma busca incessante por achar quem poderia ser o protagonista dessa aventura tomou de assalto a atenção da entidade Zaso e muitos nomes vieram à tona, mas apenas um cumpria com todos os requisitos necessários: Leo Fagundes. Nascido em Natal em meados dos anos 80, o skatista e amante do rock pauleira ficou amigo dos zasóides ainda na época em que tocavam o agonizante/ falecido blog de skate OneDv, sendo um dos principais personagens das matérias feitas pelos mesmos. Conhecido por ser um dos maiores sommeliers de tudo que existe e por ter trabalhado em todos os empregos disponíveis na face da Terra (com importante destaque para uma hamburgueria de respeito no bairro de Pinheiros), o skatista natalense e grande ser humano se encaixou perfeitamente no perfil necessário. Devidamente contactado, Leo se empolgou com o convite e não titubeou em aceitar participar da empreitada, deixando muito claro que odeia “McDonald”, palavras do mesmo.

O McDonald’s escolhido foi um dos mais clássicos da cidade, localizado na Avenida Bandeirantes, próximo do Shopping Ibirapuera e, segundo fontes internas extremamente confiáveis, é o segundo maior da América Latina, perdendo apenas para o da Avenida Henrique Schaumann, também em São Paulo, durmam com essa. Leo e os jovens zasistas se encontraram num posto de conveniência do outro lado da rua para uma amistosa cerveja pré-refeição e então partiram confiantes em busca do pê-éfe encantado.

Ao pôr os pés no McDonald’s, avistaram uma senhora tirando um cochilo no sofá, uma informação completamente desnecessária, e continuaram a caminhar em direção ao balcão, sendo prontamente atendidos por um sorridente gerente. O zaso Jonas se dirigiu até ele e lhe disse, em tom de clandestinidade, que eles gostariam de provar o prato feito do estabelecimento. Diante de tal pedido, o gerente mudou de expressão instantaneamente por cerca de três segundos, voltando à sua face anterior e dizendo que iria verificar qual prato estaria disponível no dia. Os três putardos ficaram no aguardo da resposta, sob os olhares inquisitórios dos assustados funcionários, que pelo visto, nunca antes haviam presenciado o pedido. A informação passada foi a de que o prato do dia era arroz, feijão, o mesmo hambúrguer de frango servido no McChicken, uma salada de alface com tomate e cenoura (era para vir com um mix de legumes acompanhando, mas este estava em falta), suco de manga e uma carismática mexerica. Aceitaram a condição, pela bagatela de 23 mirréis, e aguardaram a chegada do pedido sentados. Depois de alguns minutos, o gerente, acompanhado de uma simpática senhora cozinheira, veio trazer a refeição para os famintos jovens que estavam curiosos pela aparência do prato. O solícito funcionário enfatizou que nunca havia presenciado tal pedido, visto que o prato em questão é geralmente direcionado para a alimentação dos próprios funcionários, uma tentativa esquisita do estabelecimento de mostrar que a comida dos subordinados é decente (o que acaba deixando a entender que a servida aos clientes nem tanto). Começava ai o relacionamento sério entre Leo Fagundes e o prato feito do McDonalds.

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Em posição de criança faminta em refeitório de excursão chata, Leo começou a devorar o prato, direcionando suas primeiras garfadas para os indefesos arroz e feijão. Fazendo caras e bocas de quem está analisando profundamente a alma do alimento, Leo afirmou categoricamente que ambos são bons, porém desprovidos de tempero, lembrando muito a comida servida aos funcionários de um hotel em que trabalhou durante alguns meses, mas deixando claro que a do McDonald’s estava melhor. Esbanjando seriedade, partiu então para o frango, que não tinha uma aparência das mais empolgantes, um típico alimento que passa de ano raspando. Como era de se esperar, o professor Leo reprovou o aluno, dizendo que o mesmo era muito artificial, estava frio e molenga. À essa altura, ele já estava num flerte sedutor com o prato, esquecendo completamente seu desprezo pelo estabelecimento. Já com o prato bastante debilitado e ferido pelas muitas investidas famintas, Leo partiu para a salada, que era acompanhada por dois sachês de azeite e vinagre, respectivamente. A salada lhe agradou bastante o paladar, foi claramente a parte do prato que mais lhe apeteceu. O suco estava um tanto aguado, sendo deixado de lado sem dó. Em meio à refeição, a simpática senhora que havia servido o prato no balcão minutos antes apareceu para saber como as coisas estavam andando, se mostrando muito atenciosa e evidenciando o quão curiosa estava sendo a situação. Conversando com ela, os zasileiros suposeram que ela era a cozinheira dos funcionários, sobretudo pelo conhecimento profundo que tinha dos pratos feitos servidos e por suas vestimentas diferentes das demais. A senhorinha afirmou, com muito bom-humor, que o prato daquele dia era o que menos lhe agradava, por conta do hambúrguer de frango. Cada dia da semana possuía uma combinação de alimentos diferente. Depois de bons cinco minutos de conversa, o gerente também apareceu demonstrando interesse, ficava muito claro que eles estavam bem impressionados com tamanha ousadia e alegria dos jovens. Em determinando momento, até o segurança apareceu para checar a situação, fingindo de maneira pífia que só estava dando uma volta, não enganando absolutamente ninguém. A senhora cozinheira geral e o gerente se retiraram, mas não sem antes oferecerem um cafézinho cordial para Leo, que não recusou.

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De bucho forrado e mente cansada, Leo ainda teve tempo para tirar um cochilo de vinte segundos na praça que fica do lado de fora do McDonald’s, seu corpo estava em claro conflito com tamanha alimentação. Apesar de relutante, se mostrou um verdadeiro glutão em frente ao prato, tendo aproveitado cada segundo como se fosse o último, enchendo de orgulho toda uma nação de glutões. Seu veredicto foi bastante diplomático, afirmando, com propriedade de sommelier que é, que o prato estava muito bom, porém extremamente básico com relação a temperos e afins, dando ênfase positiva para a salada e negativa para o baleado frango.

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No final das contas, mais interessante do que o quão bom era o prato, foi a reação dos funcionários e do próprio Leo, que acabou surpreendendo os zasóides com seu apetite pela refeição. Grandes momentos.

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