Fama, Psicodelia e Rock Nacional – Um Flerte com a Mulambice e o Rock Brazuca

Fotos: PESSOAS ALEATÓRIAS | Texto: JOE BORGES 

Numa linda quinta-feira de verão, mais precisamente no mês de Novembro de 2014, o correspondente zasístico Jonas Borges se encontrava no popular Tiquim, um simpático boteco do bairro da Pompéia, com um camarada de longa data. Tomavam uma gelada acompanhada de um bolovo gourmet (e é verdade mesmo), com duas amigas que eles tinham acabado de conhecer: Uma senhora hippie entusiasta dos lisérgicos, e vendedora de bolinhos batizados, e sua amiga de infância, uma arquiteta moradora de Higienópolis que aparentava ter metade de sua idade verdadeira. Ambas estavam ali na casa dos 60 anos. Dali poucos instantes, Jonas teria que se dirigir à casa de outro correspondente, Rodolfo “Dox” Martins, um rapaz de muito boa índole. Jonas lá para as tantas resolveu mandar uma mensagem para Leandro Furini, também correspondente zasístico, que estava presente com Dox, peguntando onde eles estavam. Eis que o boêmio rapaz é surpreendido de maneira bombástica, com uma sms que abalou toda e qualquer estrutura emocional que lhe restava naquele momento. A mensagem, em tom de urgênica, mostrava uma foto indecifrável de Rodolfo supostamente discutindo com alguém fora do enquadramento. Junto da foto, um clamor para que viesse rápido, algo de bizarro estava acontecendo. Diante de tamanha desgraceira, se despediu dos presentes no bar e pegou um táxi imediatamente. O taxista era do tipo beirando a terceira idade/ simpático, já começou puxando assuntos diversos e mundanos. Em determinado momento, Jonas não conseguiu se conter e acabou comentando com ele sobre a alarmante sms que recebera, a porrada estava comendo solta entre Dox e o ex-goleiro da Seleção Brasileira e ídolo do São Paulo Futebol Clube, Waldir Peres, vizinho de parede do mesmo. O taxista demonstrou real preocupação com a situação, utilizando outros muitos exemplos de jogadores que acabaram perdendo a batalha para o álcool e as drogas, uma conversa realmente esbanjando seriedade e baixo-astral. Em cerca de 15 minutos, lá estava Jonas, curioso para saber o que havia acontecido de fato. Quando chegou ao apartamento, se deparou com os dois outros correspondentes sentados no sofá em posição de vadiagem, ficou claro que tudo não passou de uma falcatrua barata. Em clima de descontração e pingaiada, tomaram a última cerveja presente no apartamento e resolveram descer para o Bahia, popular recanto do esculacho paulistano da madrugada (e de qualquer hora), localizado em frente ao prédio em que se encontravam.

O bar estava, como sempre, recheado de cachaceiros sem perspectiva de vida alguma e com sua característica iluminação de pronto-socorro. Os três ficaram do lado de fora, a conversa estava fluindo, como de costume. Eis que uma van preta insulfilmada encosta ao lado dos indefesos rapazes, sem cerimônia alguma. Do lado do passageiro, uma figura alta e muito semelhante ao Naldo, como bem observado por Dox, emerge em meio às risadas e patifarias do grupo, causando uma comoção geral e fazendo com que eles voltassem toda a atenção para o sósia involuntário. Ele então abre a porta lateral de correr da van e, para a surpresa/ alegria/ espanto/ dor de todos, duas figuras saltam para fora: eram Paulo Roberto Diniz Júnior, o popular “PJ”, e Márcio Buzelin, nada mais, nada menos, que dois integrantes da banda Jota Quest, baixista e tecladista, respectivamente. Como se estivessem re-encontrando amigos de longa data, os roqueiros se encaixaram na roda, lançando olhares amistosos em direção aos zasárquicos, o que gerou exatos 15 segundos de absoluto silêncio de todas as partes. Dava para observar que eles estavam intergaláticamente alterados, sob efeito de substâncias de procedência inimagináveis. Estando ao lado do baixista, Jonas resolve quebrar o silêncio com uma reconfortante declaração: “Jota Quest!”, o que não causou absolutamente nenhuma reação por parte dos envolvidos. Observando a bela camiseta que o músico trajava, da banda Grateful Dead, pela qual tem um apreço particular, resolve lançar mais uma tentativa de contato: “Muito foda essa camiseta, ein?” O semblante de PJ alterou-se milimétricamente para um misto de êxtase e orgulho, e ele então não titubeou em bater no peito e proferir: “Mais de 30 anos de rock`n`roll.”, foi o suficiente para que o gelo fosse quebrado entre os zasalhas e os recém-chegados. Já tendo afirmado seu envolvimento de longa data com a música roqueira, o baixista chamou seu alucinado companheiro de banda para pegar um whisky dentro do bar. Completamente chapuleta, no trajeto de aproximadamente 5 metros, o tecladista teve a capacidade/ infelicidade de derrubar a garrafa de cerveja dos três jovens, que se encontrava no chão, quebrando-a (por sorte, ela já estava praticamente vazia). Como forma de sincero arrependimento, fez um gesto muito semelhante ao utilizado em diversas religiões orientais, sobretudo o budismo, causando reconforto nos corações do grupo, que perdoaram-no imediatamente. Assim que os integrantes da banda abandonaram a rodinha, os olhos dos correspondentes continuaram seguindo-os, maravilhados com a situação inusitada e flagrando o exato momento em que o algoz da pobre garrafa atacava novamente, soltando seu copo cheio de whisky diretamente ao chão do bar. Mais arrependido ainda de seus atos impensados, ele profere novamente gestos de origem oriental, dessa vez para todos os lados e como se não houvesse amanhã, uma cena realmente fascinante. De volta para os braços dos jovens, os dois boêmios se enturmaram novamente, dessa vez mais comunicativos (menos o tecladista trapalhão, que estava incapaz de se comunicar por palavras, apenas gestos recheados de simpatia). Depois de dizerem que haviam chego de um show naquele momento, a conversa fluía, na medida do possível, em torno de gostos musicais e experiências na área. Em meio ao assunto, o animado PJ confessou que era muito mais fã da fase DIO do Black Sabbath do que da fase Ozzy, o que gerou um breve desconforto entre os presentes, o popular clima de peido. Passada a polêmica e vendo que eles já estavam de saída, os três correspondentes pediram encarecidamente um registro fotográfico, que foi tirado pelo simpático cover do Naldo (e segurança da banda Jota Quest nas horas vagas), utilizando a inseparável câmera fotográfica de turista japonês dos anos 90 que Leandro carrega para todo e qualquer lugar.

1-7MyZnK_H9KNSk7AtYmlEEQ-1Ainda sentindo o duro golpe de perderem seus amigos, voltaram à programação normal, que durou alguns minutos, até que um novo baque atingiria a espaçonave da rapaziada. Por trás do ombro de Leandro, Jonas tinha uma perfeita visão da área de fumante do The Pub, estabelecimento vizinho do querido boteco. Lá estava a figura, imponente, impávida e impecável. Completamente perplexo, Jonas aponta em direção a ele e fala: “Cara, olha o Régis Tadeu!” Numa velocidade nunca antes vista, todos se viraram e lançaram seus olhares para o crítico musical. Eis que, sagazmente, Dox pergunta: “Régis! O que você acha do Jota Quest?”, e ele prontamente, como o profissional que é, já imenda: “Os caras são gente fina, mas o som é uma bosta. Pau mole.” Como quem não deve nada a ninguém, entra novamente no pub, deixando a rapaziada completamente orfã daquele momento que jamais seria esquecido. Alguns minutos depois, e algumas cervejas a mais, Régis voltou carregando uma bateria para dentro de seu carro, um honesto Golzinho verde musgo. Os correspondentes não poderiam deixar de registrar este encontro de feras tão inusitado que o destino lhes proporcionou.

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Um rapaz solitário e bastante ébrio que se encontrava ao lado deles, e observava cada instante da cerimônia, foi solícito e eternizou o momento. Levianamente não reconhecendo quem era Régis, foi enquadrado com severidade, tendo lembrado instantes depois de quem ele era, através de uma memória pescada lá no fundo do inconsciente (mais precisamente do Programa do Raul Gil). Discrente das habilidades musicais do crítico, perguntou se ele emprestava a bateria para o bar, em tom claro de deboche. Defendendo a honra do pobre baterista, os três disseram que ele estava fazendo um show, corriam boatos que ele possuía uma banda de rockabilly. Enquanto tudo isso se desenrolava, Tadeu escapou de fininho, engatou a régis e saiu andando, sumindo no horizonte como uma estrela cadente que não tarda em cumprir sua tão bela missão.

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